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domingo, 5 de outubro de 2008

Por que entrei na Uei.

Por João Telésforo Medeiros Filho(*)
Eu gostaria de convidar todos vocês a conhecer a União dos Estudantes Independentes e, caso convirjam com seus princípios, sua forma de ação e sua visão de movimento estudantil, a integrá-la.

A melhor maneira que encontro para expor o que é a UEI é explicando por que eu decidi integrá-la. Em síntese, é porque:

(I). a UEI é um grupo que se organiza e age de modo democrático, independente, plural, não-dogmático, pensante, crítico, autocrítico e propositivo;
(II). identifico-me plenamente com os objetivos que balizam a atuação da UEI (rol não exaustivo):

1. a melhoria concreta das condições de ensino, pesquisa e extensão da UnB;

2. a percepção de que é fundamental que a UnB seja gerida de modo democrático, com diálogo e abertura para a participação, porque essa é a melhor forma de garantir, do ponto de vista da gestão, a melhoria das condições de ensino, pesquisa e extensão da Universidade, e porque práticas de gestão democráticas são educativas em si mesmas;

3. o movimento estudantil deve ser inclusivo, deve incentivar a participação de todos os alunos, porque isso o qualifica, o legitima e o fortalece: torna-o mais próximo das demandas concretas; propicia a construção plural e dialógica que permite a melhor compreensão da realidade complexa; e, por torná-lo mais próximo dos estudantes, por torná-lo efetivamente movimento dos estudantes, torna-o mais forte e impactante;

4. a UEI atua pelo fortalecimento dos Centros Acadêmicos como entidades fundamentais do movimento estudantil, dada a sua proximidade com os estudantes, com problemas concretos, a descentralizaçã o que propiciam e a possibilidade que eles abrem para maior participação de todos os estudantes;

5. a Universidade deve orientar a formação e o conhecimento que produz pelo compromisso com a sociedade, a democracia e os direitos humanos;

6. o movimento estudantil precisa conhecer a fundo os problemas da Universidade, promover o debate amplo sobre eles, e atuar de modo crítico e propositivo para solucioná-los. Isso significa que a atuação exige uma sofisticação que requer esforço intelectual e debate constantes. Citando dois exemplos do momento: REUNI e fundações. São dois temas que impactam diretamente toda a comunidade acadêmica, e portanto o movimento estudantil não pode furtar-se a ter opinião e propostas sobre eles. São assuntos altamente complexos: requerem estudo aprofundado, reflexão séria e debate plural para a construção dessas opiniões e propostas. A UEI compromete-se com essa reflexão aprofundada e com esse debate amplo para a formação de seus posicionamentos críticos e propositivos.

Em síntese, a UEI luta pelo cumprimento daquilo que a Constituição Federal de 1988 prescreve como pilares da Universidade: a autonomia, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, a gestão democrática. Compromete-se com a reflexão e com o permanente debate sobre o nosso modelo de universidade, e propõe-se a estudar e debater qualificadamente os temas para chegar a posições que permitam ao movimento estudantil construir uma UnB melhor e mais bem fundada.

Essa forma de organização e esse tipo de compromisso têm conseqüências muito práticas na forma como a UEI decide agir e naquilo que ela reivindica e propõe, e marcam sua diferença com os demais grupos do movimento estudantil.

Eu não conseguiria participar de qualquer grupo que não tivesse todas essas características, que identifico na UEI muito mais do que em qualquer outro coletivo estudantil da UnB (refiro-me aos outros grupos estudantis que agem na dimensão da UnB como um todo, e não de grupos específicos de qualquer curso).

Não entrarei em detalhes sobre os outros grupos estudantis da UnB - que respeito muito e com os quais tenho (e a UEI coletivamente também) convergências em vários pontos -, mas considero fundamental destacar dois pontos:

- a UEI é realmente um grupo plural e pensante. Que significa isso? A UEI não toma suas posições com base em dogmas ou enviesamentos ideológicos pré-definidos. A UEI tem compromisso com a democracia, mas isso é vago quando se vai para a apreciação pragmática das questões. E essa apreciação ocorre. Como? Pelo incrível exercício do pensamento e do debate.

É muito difícil chegar a uma posição quando não se parte já de uma ideologia que fornece respostas fáceis. Exemplo: a maioria dos CA's não se posicionou sobre o REUNI, e não se posiciona sobre a maioria dos temas que exigem maior aprofundamento e debate. Normalmente, os únicos que se posicionam são os que são sectários de alguma grande ideologia maior que "fornece" a eles posições sobre temas específicos. Esse não posicionamento não é à toa. Na sociedade contemporânea, com a morte das grandes ideologias políticas - ou, nas palavras do prof. Alexandre Araújo Costa, de uma "meta-utopia geral que organize a política" -, as pessoas deram-se conta do quão difícil é a ação política. A UEI nega-se a transformar seu convicto não-dogmatismo e sua decidida pluralidade em inoperância e imobilismo. O projeto da UEI é chegar a posicionamentos, pela trabalhosa construção plural de posicionamentos a partir da apreciação séria de cada questão.

A faceta pensante (que considero indispensável) da UEI expressa-se também pela sua dimensão autocrítica. O grupo não tem medo de se criticar, inclusive em público; de reconhecer suas limitações e seus erros. Essa é uma virtude que prezo em qualquer movimento e na verdade em qualquer pessoa, porque a autocrítica é uma mostra de compromisso com o pensamento reflexivo e rigoroso (em oposição ao dogmatismo e à crítica cega), e a autocrítica pública é uma mostra de honestidade política. Visitem o blog da UEI e leiam o texto mais antigo, e vocês verão parte dessa autocrítica.

- a UEI é o grupo mais independente do movimento estudantil. Independente não só de partidos, como de quaisquer grupos. Essa escolha pela independência significa que a UEI não aceita qualquer fonte externa de financiamento (os outros grupos costumam ser financiados por sindicatos). Na dúvida sobre se isso poderia condicionar a atuação do grupo, a UEI opta por preservar sua independência. Além disso, é independente também porque não é refém de qualquer espécie de direcionamento ideológico - a não ser a ideologia do compromisso com a democracia -, porque não é refém de qualquer rótulo.

Eu entrei na UEI porque é essa a espécie de movimento estudantil que creio que pode construir uma Universidade do Século XXI e é essa espécie de política que traduz os anseios daqueles que, como eu, não têm uma "meta-utopia política geral" a não ser a da democracia, mas que nem por isso deixam de querer agir politicamente, entendendo a política como meio de transformar a sociedade.

Abraços,


João Telésforo Medeiros Filho.
(*) Membro pleno da UEI
Diretor do Centro Acadêmico de Direito
Estudante do 8° Semestre de Direito

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A Importância de Participar no Movimento Estudantil (*)



Em que consiste um regime democrático? Sobre esta pergunta já se debruçaram teóricos e intelectuais renomados, não pretendo aqui desafiá-los, mas expor um ponto extremamente prático: tal regime não está baseado inteiramente no voto. As eleições são parte (importantíssima) de um regime, mas para se qualificar como democrático é preciso haver participação do eleitorado na vida pública: vigiando, associando-se, pressionando.

As vantagens de um sistema assim não estão apenas na responsividade às demandas das pessoas, mas em proporcionar maior transparência à administração pública. Dentro da Universidade de Brasília há uma dinâmica política própria, que influencia a administração e conseqüentemente a vida prática da universidade. Questões como a infra-estrutura das salas, o financiamento de institutos “abandonados”, a promoção da pesquisa (e seu diálogo com a sociedade), e até mesmo os bebedores quebrados são questões passíveis de serem resolvidas politicamente.

Muitos professores da UnB tomam parte na vida política da UnB, seja participando dos conselhos, seja em cargos de chefia, ou mesmo engajando-se em diferentes grupos. Os servidores também participam com base em associações. E os Estudantes? Bom, com mais de 20.000 alunos, é de se esperar a pluralidade de pensamentos e ideologias, o que se reflete na formação de diversos grupos, inclusive da UEI – União dos Estudantes Independentes para contribuir para este todo complexo que é o Movimento Estudantil.

Você, estudante, provavelmente já se deparou com notícias sobre corrupção dentro da UnB, ou mesmo com professores reclamando da falta de estrutura adequada. Diante disso você tem duas escolhas: esperar que tudo se resolva sozinho (e torcer para que a UnB não se desmorone antes de receber o diploma) ou agir de alguma forma para influenciar mais diretamente os rumos da instituição que você escolheu para estudar e que influenciará sua formação pelo resto de sua vida. Se a opção escolhida for a segunda, saiba que há um Movimento Estudantil atuante e grupos dispostos a te acolher.

A União dos Estudantes Independentes é um grupo que atua politicamente na UnB, visando sempre a melhoria da instituição, o fortalecimento de seus três pilares (ensino, pesquisa e extensão), a fiscalização na gestão dos recursos, e a reflexão sobre os papeis da universidade pública na sociedade, para que assim o interesse dos estudantes e da própria instituição sejam assegurados. Temos representação nos três conselhos da UnB: CONSUNI, CAD e CEPE, além de atuarmos diretamente com os estudantes. Se você acha que pode contribuir e agir nesse sentido, a UEI está de braços abertos para te acolher; é só entrar em contato conosco, mandar e-mail, ou participar de nossas reuniões presenciais. O Movimento Estudantil precisa de sua participação e se nossas propostas te agradam junte-se a nós na construção de uma universidade pública melhor.

(*) Lucas Moraes (Sergipe)
Estudante de Relações Internacionais
Membro da União dos Estudantes Independentes.

sábado, 20 de setembro de 2008

Mudança na UEI - A Renovação



Recentemente a UEI (União dos Estudantes Independentes) passou por uma série de processos e mudanças internas que nos levou a rever uma série de práticas, posicionamentos e princípios de organização.


Não é segredo para ninguém, e nos orgulhamos de publicizá-lo, enfrentamos recentemente algumas crises internas. Essas crises estiveram no bojo de alguns erros crônicos e principiológicos, dos quais o grupo, com coragem e visão, reconhece publicamente.

O esforço reformista (empreendido com sucesso) que nos tomou a pouco modificou princípios de organização e redefiniu identidades fundamentais. Alguns membros, insatisfeitos, optaram por deixar o grupo; outros se sentindo contemplados com nossa proposta para o movimento estudantil juntaram-se a UEI.

A partir desse processo, a UEI fortalece seu núcleo de visão comunitária e progressista, sendo chamada, mais do que nunca, a um compromisso de inclusão democrática e justiça social. Um compromisso que a conecte mais diretamente a história que construiu na ocupação da reitoria, na luta pela paridade e na defesa clara dos estudantes em todos os espaços de discussão representativa ou ação direta.

Não poderíamos deixar de reconhecer e reportar ao movimento estudantil e toda a comunidade acadêmica o caráter desse processo e o modo de como ele sinaliza uma nova fase dentro do grupo. Isso faz parte de um dos grandes princípios de ação que ainda permanecem no grupo desde sua fundação, há mais de um ano atrás: a autocrítica do (e no) movimento estudantil. Ao expormos nossos próprios erros, somos aqui coerentes com esse princípio, ainda que sendo vitimados por ele. Para isso é preciso coragem, autonomia, desprendimento e comprometimento com o crescimento do movimento estudantil para além de interesses político-eleitoreiros; algo que desde nosso surgimento provamos ter. Algo que preservamos com orgulho.

Tornamos público esse processo porque acreditamos que ele pode ser elucidativo e didático face aos muitos desafios que se colocam para o movimento estudantil nesse momento.

Quanto á polêmica discussão da não ligação partidária do grupo, reafirmamos nossa posição por um movimento estudantil autônomo, aberto e livre de qualquer espécie de aparelhamento. Ainda assim, não deixamos de reconhecer a importância dos partidos políticos face os atuais contextos de mobilização estudantil. Contudo, aderimos à maior parte de alguns dos antigos problemas a causas relacionadas mais a problemas de organização interna e definição ideológico-identitária do que a não ligação com partidos políticos.

É obvio que não ter o apoio financeiro e logístico de maquinas partidárias nos relega desafios maiores em termos de condições materiais e capacidade de mobilização, ainda assim, isso nos fortalece e nos motiva a trabalhar ainda mais por um movimento estudantil e uma universidade melhor. Orgulhamo-nos dessa dificuldade, e tal singularidade do grupo fortalece nossa base de apoio e nos motiva a continuar defendendo uma proposta de renovação.

Trabalhar uma nova consciência de ação e mobilização estudantil, eis o nosso principal foco. Isso significa repensar o movimento estudantil através de uma autocrítica sensata e coerente, que reconstrua-o tendo em vista os novos desafios advindos da realidade da sociedade complexa contemporânea. Isso significa aceitar mudanças, incorporar novas causas, manter outras, mas acima de tudo adotar uma postura democrática e inclusiva que agregue e chame à ação.

Precisamos fortalecer os espaços deliberativos, as instâncias representativas. Os Centros Acadêmicos devem ser revitalizados como instâncias de política estudantil. Eles estão mais próximos das demandas urgentes e específicas dos estudantes de cada curso e ao mesmo tempo são chamados a participar da política universitária de modo abrangente. O fortalecimento dos C.As descentraliza a ação, tornando-a assim mais eficiente e facilitando os esforços de organização.É preciso também interligá-los, legitimá-los. Na época da ditadura os Centros Acadêmicos foram o bastião da resistência estudantil, chegaram a ser fechados pelo regime. Em sua maioria, o que fazem hoje? Promovem festas, trotes, happy hours? (É óbvio que há grandes exceções). A UEI acredita que mudar o esforço de mudar o movimento estudantil passa pelo fortalecimento dos C.As. Precisamos mudar a lógica de um movimento estudantil pautado por “grupelhos” que, com honrosas exceções, costumam ser fechados e se preocupar majoritariamente com interesses eleitoreiros.

Entendemos o movimento estudantil, e a própria política, como um processo didático em si mesmo; um processo em que se aprende e se interessa à medida que se envolve e se trabalha. O movimento estudantil deve estar em pé de igualdade, face a face, com o estudante e a sociedade. Não podemos mais nos caracterizar como os iluminados que têm o dom e função de clarear a verdade aos demais estudantes “ignorantes”, “alienados”, “desmobilizados”. Isso além de falta de humildade pressupõe falta de compromisso com os princípios fundamentais de uma ação social libertadora. As reais mudanças acontecem pela base e jamais avançaremos se mantivermos essa visão quase elitista da ação política.

Desse modo, é orgulhosa de sua renovação e consciente de seus desafios que, a UEI convida todos os estudantes a se juntarem a essa nova concepção de movimento estudantil e contribuírem em sua reconstrução. Venha conosco, dê sua opinião, participe e ajude-nos a tornar essa utopia real.


Forte abraço,

Edemilson Junior(Paraná)

Conselheiro Consuni

União dos Estudantes Independentes.